O estudo de espécies da flora do Brasil, reconhecida como a mais rica do mundo (Forzza et al. 2012) tem uma longa trajetória. Nos séculos 18 e 19, naturalistas estrangeiros, visitantes ou residentes no país, ou mesmo alguns poucos botânicos brasileiros coletavam as amostras vegetais e as remetiam aos herbários europeus. O objetivo principal deste período era estudar a flora e o seu potencial de utilização. Grande parte das coleções destes naturalistas foi utilizada na descrição de novos táxons (tipos nomenclaturais) ou integraram o conjunto de amostras que serviram de base para descrição das mais de 22.000 espécies da Flora brasiliensis (Martius, Eichler & Urban 1840 –1906).

O Programa REFLORA/CNPq, uma iniciativa do governo brasileiro, tem como objetivo principal o resgate de imagens dos espécimes da flora brasileira e das informações a eles associadas, depositados nos herbários estrangeiros para a construção do Herbário Virtual Reflora. Os primeiros parceiros desta iniciativa foram o Royal Botanic Gardens de Kew (K) e no Muséum National d’Histoire Naturelle de Paris (P). A partir de 2014, com apoio do SiBBr (Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira), outros herbários europeus e americanos foram incluídos na iniciativa, são eles: Missouri Botanical Gadens (MO), New York Botanical Garden (NY), Naturhistorisches Museum Wien (W) e Naturhistoriska Riksmuseet (S). A base física do Herbário Virtual REFLORA está instalada no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, que é responsável pelo recebimento das imagens e transcrição dos dados. Assim, tanto as imagens e informações textuais provenientes do repatriamento, quanto as imagens e os dados textuais do acervo do herbário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (RB) estão sendo disponibilizadas para a comunidade científica e para o público em geral.

Além dos herbários europeus e americanos, a partir de 2014 também demos início a publicação de imagens e dados de acervos nacionais. Com o apoio do IFN (Inventário Florestal Nacional), do SiBBr e do próprio Programa Reflora vários herbários estão recebendo equipamentos e treinamento para digitalização dos espécimes. São eles: Herbário Alexandre Leal Costa (ALCB), Herbário da Universidade Federal de Sergipe (ASE), Herbário da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (CEN), Herbário do Centro de Pesquisas do Cacau (CEPEC), Herbário Prisco Bezerra (EAC), Herbário da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESA), Herbário do Departamento de Botânica da Universidade Federal de Santa Catarina (FLOR), Herbário Dr. Roberto Miguel Klein (FURB), Herbário Barbosa Rodrigues (HBR), Herbário do Departamento de Ciências Florestais da Universidade de Santa Maria (HDCF), Herbarium Uberlandense (HUFU), Herbário do Museu Botânico Municipal (MBM), Herbário Rondoniense (RON), Herbário da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Herbário do Departamento de Botânica da Universidade Federal do Paraná (UPCB), Herbário Central da Universidade Federal do Espírito Santo (VIES).

Assim como o Herbário Virtual Reflora, o novo sistema da Lista de Espécies da Flora do Brasil também é parte integrante do Programa Reflora. Neste contexto, a Lista do Brasil funciona como um validador para os nomes atribuídos às imagens do Herbário Virtual Reflora, que também será atualizado e enriquecido por taxonomistas trabalhando em rede em um sistema online.

Acreditamos que as plataformas de trabalho do Herbário Virtual Reflora e da Lista de Espécies da Flora do Brasil serão ferramentas imprescindíveis para que o Brasil cumpra a primeira meta da Estratégia Global para a Conservação de Plantas (GSPC-CDB) para 2020, que é a elaboração da Flora do Brasil Monografada, com acesso online.

Responsável: Rafaela Campostrini Forzza